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Crônica: o que é ser colorado?

Leia esse texto, tenho certeza que você não vá se arrepender

CRÔNICA: O que é ser colorado?

Todos nós já nos perguntamos o porquê de escolhermos o nosso time. Cada clube tem a sua peculiaridade, seus ídolos eternos, suas conquistas eternas, seus jogos inesquecíveis. Eles compõem a identidade inconfundível de cada um, diferenciando-os dos demais. Diferente, mas onipresente.

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Eu sou colorado. E um colorado apaixonado. Não importa o que faço durante o dia, as ocupações, os problemas e as inquietações: se é dia de jogo do Internacional, nada mais importa. Sem o Inter a minha existência seria diferente, faltaria algo, teria um vazio inominável.

Como bom torcedor, sempre me perguntei o que singulariza o Inter do resto. O que é ser colorado, afinal? Quais os componentes dessa loucura sem cura, desse sentimento que nada muda, dessa simbiose sujeita a altos e baixos, mas sempre realçada com o canto ‘’nada vai nos separar’’?

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O começo dessa história remete a 1909, aos irmãos Poppe. Eles tiveram a ideia de fundar um clube aberto a todos, sem a imposição de uma determinada raça ou classe social – como foi no começo do nosso rival. Um time a ultrapassar as fronteiras do Rio Grande e fazer jus ao nome de Internacional.

Esse fato é deveras importante. O mito fundador do Inter – a fundação por dois irmãos impedidos de entrar no rival por serem de fora – nunca deve ser esquecido. Certos grupos econômicos, políticos ou ideológicos querem tomar o Inter para si e fazer dele sua propriedade irrevogável. Não. O Inter é de todos. É dos que vestem a camisa vermelha e estão sempre com ele, independente das singularidades que nos dividem. Internacional sempre.

Atravessamos períodos bons e ruins como todo e qualquer clube. Na era mais recente, tivemos a geração tricampeã brasileira na década de 70, os anos medíocres em 80 e 90 que antecederam os mágicos anos 2000. A década de 2010 foi amarga e talvez a que mais abriu feridas dificilmente cicatrizadas. É uma gangorra de emoções indescritível.

Em todas elas o colorado estava lá. Ele viu o Grêmio ganhar a América e o Mundo primeiro. Ele viu os anos 90 com os gremistas indo ao delírio com tantas conquistas. Ele viu o nosso saudoso Mahicon Librelato nos salvar da degola no milagre de Belém. Ele até mesmo viu companheiros pularem da barca e abandonarem o Inter.

Mas ele não. Ele aguentou tudo sem perder a esperança de dias melhores. Em 2006 a América e o Mundo foram nossos, como tantos esperaram por anos. Adriano Gabiru foi de desprezado a ídolo no chute que nenhum colorado irá esquecer. Na terra do sol nascente esse planeta viu a força do Clube do Povo, foi pintado do vermelho que corre em nossas veias, na paixão que pulsa e sempre se faz sentir.

Quem é colorado desafia os céticos desde sempre. Muitos não acreditavam que jogadores negros pudessem atuar no Inter, que o Gigante da Beira-Rio jamais passaria de um devaneio, que o Brasil nunca seria nosso, que as taças além das fronteiras nacionais não estariam predestinadas a serem do Internacional. E em todos esses casos eles estavam errados. Jamais duvide de quem ergueu um gigante sob as águas. Colocar-nos em xeque é tolice.

Em suma, ser colorado é essa loucura sem cura. É pertencer a um clube que se orgulha de ser do povo e de todos. É sofrer com o gosto amargo das derrotas e se recolher nas dores, mas voltar ainda mais forte para conquistar as melhores vitórias. É insistir e acreditar nos seus sonhos, mesmo quando tantos desacreditam deles. Colorado das glórias, orgulho do Brasil, paixão de tantos de todas as querências. Tu és a minha eterna e maior paixão.

Todos os dias eu olho para a minha camisa vermelha e o símbolo que tanto carrega em significado. A mesma emoção brota. Os melhores anseios também. Quero te ver campeão de novo e até o fim. Pois essa vida é finita. O meu amor por ti, não. Ser colorado é acreditar em uma outra vida após essa com a única perspectiva de amar o Inter eternamente. É isso que nos faz colorados.

Texto escrito pelo jornalista Carlos Junior.

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